Acervo Bajubá ajuda a preservar memória LGBTQIAPN+ brasileira

Arquivo comunitário resgata, preserva e compartilha vivências queer no Brasil

Entre fotografias antigas, camisetas de protesto, flyers de festas e fitas VHS, o Acervo Bajubá vem construindo um retrato vivo e coletivo das memórias da comunidade LGBTQIAPN+ no Brasil. Criado como um arquivo comunitário, o projeto se dedica a registrar, preservar e dar visibilidade a narrativas de pessoas, lugares e coletivos que historicamente tiveram seus relatos marginalizados ou apagados.

Segundo Marcos Tolentino, pesquisador e educador do acervo, o principal objetivo é promover a circulação dessas histórias e garantir a preservação do patrimônio artístico, histórico e cultural LGBTQIAPN+ brasileiro. A coleção, que abrange especialmente o período entre a segunda metade do século XX e as primeiras décadas do século XXI, é composta por uma diversidade de materiais — livros, revistas, cartazes, camisetas, discos, DVDs, fotos, entre muitos outros itens.

“A curadoria do acervo parte da compreensão de que qualquer registro sobre práticas sociais, políticas, culturais e comunitárias LGBT+ no Brasil é valioso”, afirma Tolentino. Nos últimos anos, materiais sobre os impactos da epidemia de HIV/Aids também foram incorporados, ampliando ainda mais o escopo do acervo.

Trabalho contínuo

Coleção abrange materiais do período entre a segunda metade do século XX e as primeiras décadas do século XXI (Foto: Divulgação).

Manter viva essa memória, no entanto, não é tarefa fácil. Um dos principais desafios enfrentados pelo projeto é a sustentabilidade. A conservação adequada dos itens exige materiais específicos e de alto custo, e todo o trabalho do acervo é realizado por pessoas voluntárias. A recente chegada de um grande volume de doações, por exemplo, intensificou a necessidade de recursos para higienização, organização e catalogação do material.

Apesar das dificuldades, o Acervo Bajubá tem estabelecido conexões importantes com outras instituições e redes. Desde 2022, mantém uma parceria com o Memorial da Resistência de São Paulo, voltada ao registro de testemunhos de pessoas LGBT+ sobre o período da ditadura civil-militar.

Neste ano, o projeto conquistou um espaço próprio. Antes abrigado em uma sala cedida pelo Grupo de Incentivo à Vida (GIV), ONG voltada à defesa dos direitos das pessoas que vivem com HIV/Aids, o acervo agora passa por uma fase de mudança e adequação ao novo local. A expectativa é que, com isso, seja possível oferecer melhores condições de acesso ao público e desenvolver atividades como exposições físicas, oficinas e publicações.

“Quem quiser conhecer mais sobre o trabalho ou contribuir com o acervo pode acompanhar as redes sociais do projeto, especialmente o Instagram, que tem sido a principal ferramenta de comunicação e divulgação de suas ações”, orienta Tolentino.

Fotos: Divulgação

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